Um voo para a digitalização

Como o uso de drones pode contribuir na digitalização do sistema de inspeção de ativos na ISA CTEEP.
Drones inspecionam linhas de transmissão

Reconhecida pela excelência da prestação de serviços, a ISA CTEEP fortalece estratégias de inovação com a transformação digital. Neste contexto, tecnologias são aprimoradas e inseridas na realidade operacional da companhia, visando a produtividade e os resultados.

Seguindo essa lógica, projetos nascidos como P&D são aproveitados em programas de inovação para potencializar as oportunidades de conhecimento operacional, numa contínua cadeia de valor. Exemplo mais recente, o uso de drones para a inspeção de ativos na empresa. 

O projeto, que nasceu no final de 2017, como uma primeira proposta de P&D regulado,  resultou em casos de negócio, comprovando benefícios que iam além de uma ferramenta de captura de imagens avançadas. Hoje, as possibilidades trazidas pela tecnologia podem desencadear em um processo de digitalização do sistema de inspeção de ativos na companhia.

Uso de drones na inspeção de ativos

Atualmente, o projeto realizado na ISA CTEEP conta com 4 fases de desenvolvimento, com previsão até 2030. Veja abaixo a linha do tempo do projeto.

Linha do tempo drones

Desenvolvida entre 2018 e 2019, a primeira fase do projeto teve como foco a captura de imagens pelos drones. Foram realizados 1300 voos, em um total de 175 horas, para possibilitar análises sobre os tipos e usos de drones mais adequados às equipes de manutenção, na realização das inspeções de linhas de transmissão, subestações e faixas de servidão. 

No método tradicional, o operador patrulha as linhas em busca de anomalias e escala os ativos (transmissoras e subestações) para realizar a captura manual de imagens. Missão, que não é das mais simples, levando em conta que a ISA CTEEP é responsável por + 20 mil quilômetros de linhas. Com os drones, a produção dos registros passa a ser realizada pela ferramenta, que vistoria as áreas com a orientação de um piloto.

Dentre as vantagens identificadas nesta primeira fase estão: segurança dos operadores, velocidade nas inspeções, acesso a locais de difícil acesso, novos ângulos de captura de imagem, maior cobertura de área em menor tempo, análises mais precisas e de mais fácil execução.

Além disso, o sobrevoo dos drones implicou numa sistematização de guias para capturas de dados, que passam, portanto, a não ser mais aleatórias. A partir do entendimento prévio das configurações das torres, com os guias, é possível realizar registros orientados.

A fim de maximizar os benefícios da tecnologia para a rotina operacional, o projeto com drones culminou ainda na descoberta de outras utilizações, como  a criação de um protótipo de lançamento de cabos e um protótipo de lança-chamas. Com o primeiro, foi desenvolvido um mecanismo de acionamento remoto para fixar e liberar o cabo guia em operações entre as torres. 

Já com o segundo mecanismo, foi realizado um teste para retirada de objetos estranhos das linhas de transmissão por meio do uso de chamas. O dispositivo eletrônico permitiu o bombeamento do combustível, e com sistema de ignição gerou a centelha. Tudo feito de forma remota, via rádio, em ambiente totalmente controlado.

Inspeção de linhas com drones.
Fonte imagens: DronePower

Expectativas Fase 2

Com um payback da primeira fase, inicialmente, previsto para quatro anos , o projeto quitou em dois anos os investimentos realizados neste primeiro ciclo. Resultados que consolidaram a boa performance e fizeram com que a ISA CTEEP seguisse na melhoria do conhecimento gerado, com o objetivo de escalar as oportunidades implementadas a outras áreas da companhia, e também a outras empresas do Grupo ISA, presentes na América Latina.

A atual segunda fase está prevista para ser realizada até meados de 2021. Tem como foco a estruturação da informação digital. Uma vez que já há o entendimento dos tipos e usos dos drones, o desafio passa a ser a estruturação do enorme volume de dados gerados pela crescente utilização da tecnologia.

Calcada na transformação digital e na inovação, a estratégia operacional do projeto é fortalecida na permanente geração de valor para a empresa, conforme explica Tiago Cardieri, cofundador da Drone Power, executora do projeto.

“Desde o início da aplicação, a prioridade era desenvolvimento operacional. Nunca existiu a intenção de invenção tecnológica. Buscou-se efeitos práticos, na realidade da empresa, a fim de aprimorar um processo numa cadeia de valor”, afirmou Cardieri.

Assim, foram estruturados seis grupos de trabalhos (GTs), formados por 112 colaboradores, entre técnicos, engenheiros, gerentes, de diversas áreas da companhia. As equipes realizam, de forma paralela, as atividades, com objetivos pré-definidos, movimentando, de maneira integrada, toda a cadeia de inspeção digital na empresa.

Atualmente, os grupos se dividem em: operacional de campo, que realiza as inspeções; regulatório para registros e conformidades do uso de drones no setor elétrico; data hub, que faz a logística de dados e armazenamentos com a tecnologia; CAID, apelido para Central de Análise de Imagens Digitais; software, que desenvolve tecnologia para dar suporte inteligente à análise do material colhido na central; e produção de pesquisa, que estrutura e compila o conhecimento gerado.

O CAID na ISA CTEEP

Criada em 2019, a Central de Análise de Imagens Digitais (CAID) é a estrutura na ISA CTEEP responsável por dar o suporte a toda digitalização de processos e produtos decorrentes dos drones. Quatro técnicos analisam o material digitalizado, que é coletado. Do campo para a central, as inspeções digitais dos ativos são realizadas de forma mais ágil, visto que as imagens geradas com melhor qualidade, facilitam a busca de irregularidades.

Cabe ao CAID, a identificação de possíveis anomalias, com o registro no SAP (sistema de gestão). Também é atribuição da central dar o suporte às equipes, que realizam trabalho de campo, como a elaboração de guias para a inspeção padronizada nas regionais, a gestão de equipamentos, incluindo registros, a ofertas de cursos e workshops de capacitação, entre outras atividades. 

Hoje, a central ocupa uma posição estratégica no projeto de inspeção digital com drones na ISA CTEEP. E ganha novas atribuições com o desenvolvimento de um software para análise dos dados recebidos na captura pelos drones, além da criação de dashboards de controle para as atividades e guia de inspeção digital para estrutura micro-ondas e estruturas cross-ropes.

Futuro da inspeção de ativos

Com os aprendizados da fase 1 e 2, a ISA CTEEP  já trabalha no desenvolvimento das próximas etapas, que consistem, respectivamente, no automatismo e inteligência artificial e na conectividade 5G, com inspeção em tempo real.

Atualmente, a empresa busca entender, de forma estruturada, questões relativas ao automatismo de voos dos drones, integrando à Inteligência Artificial na inspeção. Um processo que deve ser implementado ao longo dos próximos anos.

Com a perspectiva do 5G, espera-se que toda a inspeção ocorra em tempo real. No cenário de 2030, impactado pelas transformações digitais, a expectativa é que os drones voem automaticamente, mandando informações para a nuvem. Além disso, integrados a novos sistemas, os aparelhos seriam capazes de gerar ordem e acionar equipes de manutenção, quando necessário. De olho no futuro, que é logo ali, a ISA CTEEP voa alto no presente.

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